new website

I’m switching from WordPress to a virtual private server. I’m playing with a Gandi.net VPS. So far, I’m happy with their domain registration service. Also, they offer some discounts for Debian people. Btw, I still have a promo code for a one month free VPS share which I’m allowed to give away.

For my new website (same old URL) I’m using PyBlosxom over Lighttpd in a Debian GNU/Linux system. I want to keep things simple by git-pushing plain text files for all html content.

For the blog system I’ve just written a plugin which gives PyBlosxom the (very nice!) txt2tags formatter (source: t2t.py). There’re still issues to fix but it’s working quite well.

So, thanks WordPress for all the fish. This is probably my last post here. (although I’m keeping the current account active for comments)

São Paulo police treat street artists like criminals

This guy is very known by people who use to walk around the Paulista Avenue at night. This week Gilberto Kassab – mayor of São Paulo – authorized the local police to arrest him and all other artists in order to replace them by one more crap christmas tree playing those well known depressed songs. SAD :_(

street artist treated like shit in São Paulo - Brazil

street artist treated like shit in São Paulo - Brazil

Show de prática de bandas no Ton Ton Jazz

Nos moldes do evento anterior, estarei fechando mais um ciclo de estudos no conservatório Souza Lima no próximo dia 1. Dessa vez participo nas bandas de Instrumental III (uau!) e Vocal I e II. Ficam o registro e o convite :)

Pidgin / Finch users x Microsoft certificate error

I still have some social life with non-geek friends who keep using MSN for instant messaging. I’m currently using Finch, which is a libpurple-based IM. If you’re in a similar situation, so you probably came to this post due to a certificate error message from Microsoft servers when trying to start your Finch (or Pidgin).

All you need is download the following updated certificates from Pidgin website and replace them into your purple installation dir (probably in /usr/share/purple/ca-certs):

http://developer.pidgin.im/viewmtn/revision/downloadfile/cd236baf6d00f3e1561a40974ce1828b793ea187/share/ca-certs/Microsoft_Secure_Server_Authority_2010.pem

http://developer.pidgin.im/viewmtn/revision/downloadfile/cd236baf6d00f3e1561a40974ce1828b793ea187/share/ca-certs/Microsoft_Internet_Authority_2010.pem

Arnold Schoenberg

Sobre as proibições do uso exclusivo de quintas e oitavas nas composições e outras exigências exageradas no ensino da harmonia:

Quando à alegria da conquista associam-se as exigências corporativistas, o produto desta união só poderá ser a ortodoxia. A ortodoxia, que não tem necessidade de empreender novas conquistas, mas que encontra sua missão em mantê-las por meio de exageros. Extrai tudo o que pode ser derivado dos seus pressupostos; porém, com seus excessos, não apenas conduz a erros como também erige um baluarte contra toda nova conquista.

Reprodução obrigatória

A tal bolsa e a renda de existência

Continuo cultivando inimizades por não responder de maneira muito simpática a correntes de email de baixo escalão contra esse ou aquele candidato. A última foi um email imbecil, mal escrito, supostamente assinado pelo jornalista Luiz Nassif. Esse Luiz Nassif com “z”, que nada tem a ver com Luis Nassif que conhecemos (ou ao menos deveríamos). O próprio já desmentiu a autoria, mas como as pessoas não costumam exercitar o velho e saudável ceticismo, continuam espalhando esse tipo de infâmia caixas de email afora.

Tenho até evitado discutir política, embora não deixe as provocações de lado nos microblogs e outros tipos de mídia que estão disponíveis pra quem quiser ler, bem diferente das mensagens de email, que invasivamente tomam tempo e espaço no seu servidor e nos seus equipamentos pessoais. Quando fazem isso em conta institucional eu reajo de maneira ainda mais chata. Se esta instituição é um órgão público no qual remente e destinatários trabalham, pode esperar de mim indisposição e grosseria dobradas.

Morando em São Paulo eu decidi evitar discussões sobre política porque, em escala mais elevada que em outros locais, as pessoas em geral não estão expondo nada além do que suas próprias frustrações pessoais, profissionais, seus medos, complexos e mesquinhezas. De política mesmo restam uma ou outra argumentação, rasa, sem sentido político, frases prontas, enlatadas e mal digeridas, travestidas de opinião forte e bem fundamentada. Pessoalmente ainda não encarei uma situação de xenofobia, mas frequentemente me deparo com frustrações – disfarçadas de argumentos – contra nordestinos, aqueles desinformados que colocaram o analfabeto barbudo pra governar o Brasil. É óbvio que uma pessoa com as qualidades que já citei neste post não poderia deixar de colecionar mais uma virtude: a covardia. Aquela que enche as pessoas de coragem atrás de uma tela de computador ou de um automóvel fechado, com vidro fumê e claro, fora de congestionamento pra não correr o risco de ter que encarar o ofendido face a face.

Preciso registrar que em pleno inferno eleitoral eu consegui encontrar um texto bastante lúcido, daqueles que dá vontade de espalhar pra todos os imbecis que ficam enchendo minha caixa com mensagens insanas. Mas não farei isso, pois seria também deselegante. Talvez seja até perda de tempo, pois complexo e frustração não se resolve com textos lúcidos e sim com um histórico de vida intensa e digna, o que obviamente não tem solução sem uma máquina do tempo. Restam então as drogas (e as discussões políticas).

Deixando a ira de lado, quero parabenizar a Maria Rita Kehl, do jornal Estado de São Paulo, por ter tido a sensibilidade e sobretudo a coragem de registrar num veículo tradicionalmente reacionário palavras tão humanas sobre um tema mal debatido, tanto pelas oposições quanto pelos governistas. O partidarismo deveria ser algo totalmente irrelevante diante do que significa uma renda que permite milhões de famílias finalmente terem o que comer, que possibilite que o país minimize um pouco a sua dívida social, seja esta renda chamada de bolsa família, esmola ou o que você preferir.

O texto, publicado em 2 de outubro de 2010, de título “Dois pesos…” nos brinda com essas lindas observações:

“Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo…”

“Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias.”

“O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições.”

Assim vou acabar copiando o texto todo :) Leia você mesmo e reflita: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php

Agora pare, respire e leia o breve parágrafo abaixo, escrito pelo filósofo André Gorz em 2003, que se ainda vivo poderia pensar o bolsa-* como a realização de um antigo e até então utópico desejo seu, acontecendo bem aqui, no Brasil: a renda de existência. Se depois disso você continuar enchendo a caixa dos outros com asneiras sobre este tema, corra e vá procurar um tratamento.

“A reivindicação da garantia incondicional de uma renda deve, sobretudo, significar de imediato que o trabalho dependente não mais é o único modo de criação de riqueza, nem o único tipo de atividade cujo valor social deve ser reconhecido. A garantia de uma renda suficiente deve enfatizar a importância crescente, virtualmente preponderante, dessa outra economia criadora de riquezas intrínsecas, não mensuráveis, nem permutáveis. Ela deve enfatizar a ruptura entre criação de riqueza e criação de valor; e deve também evidenciar que “desemprego” não significa nem inatividade social, nem inutilidade social, mas somente inutilidade para a valorização direta do capital”

[ATUALIZACÃO]: aparentemente a redatora Maria Rita Kehl foi demitida do Estado de São Paulo em virtude do texto mencionado aqui :(

“SORRY TO SEE YOU GO…”

It’s finally done. For several reasons I moved all my domains from GoDaddy to Gandi.net.

If you are not convinced, so try this. At least you’ll understand the real meaning of brainless marketing.

Live Debconf10

Thanks to Valéssio you can enjoy all this modern web stuff for DC10 :)

http://debianart.org/live/

Live installer (pre-alpha-almost-tested) just released

“yeahhhh!!!”

— otavio

“Wow, it even works!”

— daniel

Daniel and Otavio releasing Debian live installer in Debconf 10

Just a record from my first jazz performance in SP

Recital SouzaLima - 2010.1

Songs:

* Affirmation (Jose Feliciano)
* Breezin’ (Bob Woomack)
* Phase dance (Pat Metheny)
* Água de beber (Tom Jobim / Vinicius de Morais)
* Marina (Dorival Caymi)
* Samba de Orly (V. de Morais / Chico Buarque / Toquinho)
* É de manhã (Caetano Veloso)
* Coração leviano (Paulinho da Viola)
* Pecado capital (Paulinho da Viola)
* Folhetim (Chico Buarque)
* É com esse que eu vou (Pedro Caetano)
* Álibi (Djavan)
* Capim (Djavan)

Thanks to friends who came out to hear us // #fun :)

Revista Veja, a versão e o fato

Versão:

A capa de VEJA desta semana, com José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República, transformou-se rapidamente em um “viral” – nome que se usa na internet para a divulgação espontânea de um tema ou produto. A fisionomia sorridente e descontraída do tucano levou muita gente a imitar sua pose no site O Brasil pode mais – título extraído de um discurso de Serra.

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia-tecnologia/capa-veja-serra-inicio-viral-web-552178.shtml

Fato:

José Serra

José Serra

Government Resquest tool fails

So it’s no surprise that Google, like other technology and telecommunications companies, regularly receives demands from government agencies to remove content from our services. Of course many of these requests are entirely legitimate, such as requests for the removal of child pornography (1). We also regularly receive requests from law enforcement agencies to hand over private user data. Again, the vast majority of these requests are valid and the information needed is for legitimate criminal investigations. However, data about these activities historically has not been broadly available. We believe that greater transparency will lead to less censorship (2).


source

(1)

Do your statistics cover all categories of content removals?

No. Our policies and systems are set up to identify and remove child pornography whenever we become aware of it, regardless of whether that request comes from the government. As a result, it’s difficult to accurately track which of those removals were requested by governments, and we haven’t included those statistics here.

(So, why did you mention this as “these requests”?)

(2)

* Chinese officials consider censorship demands as state secrets, so we cannot disclose that information at this time.

(where’s the real transparency?)

Furthermore, I tell you the incorrectness regarding requests/removals data from Brazil in your tool is a big truth.

Palhaçada do Comitê Olímpico Brasileiro

Já não bastam as regalias do ato olímpico no congresso, o COB e COI querem exclusividade no uso dos seguintes termos no Brasil.

a) Jogos
b) Jogos de Verão
c) Rio
d) 2016
e) Dois mil e dezesseis
f) Vinte dezesseis
g) Medalhas
h) Medalha de ouro
i) Medalha de prata
j) Medalha de bronze
l) Patrocinador

O documento é de dez/2009 mas ao que tudo indica ainda não foi apreciado. O ofício original pode ser lido aqui: http://miud.in/3G3

simplesmente patético.

Recital Baden Powell – convite de última hora

Amanhã, sexta-feira, 16 de abril de 2010, haverá um recital de homenagem a Baden Powell, no conservatório Souza Lima (unidade Jardins), em SP. Entrada franca. Vou fazer algumas músicas e convido aqui os amigos pra apreciar e me ver tocando nervoso.

Recital Baden Powell

Arruda, “a melhor vitrine do partido para 2010″

Esta imagem foi retirada do blog do Luis Nassif, num post de título “A criação da reputação na política”. Eu gosto de insistir nessas lembranças. Vejam como a Veja exalta o meliante do panetone:

Arruda segundo Veja

Agora, o Arruda por ele próprio, e como todos nós já o conhecemos:

Arruda por ele mesmo

Como de costume…

Mudei o tema do blog, que segue mais uma vez a instabilidade temática do seu blogador :)

Legados práticos da repressão

Acabei de assistir ao filme “Batismo de Sangue”. Estou com os nervos à flor da pele mas vou ser ponderado neste post.

O Brasil ainda tem preso na garganta tudo aquilo que foi obrigado a digerir no regime militar de 64. Excetuando-se casos isolados de indenizações insuficientes e tardias, o brasileiro que pensa um pouco parece que vai ter que engolir tudinho, ao menos até que o último dinossauro repressor parta pra outra. Este é o sentimento que fica após digerir as injustiças expostas no filme, baseadas em fatos reais, registrados no livro de mesmo nome, do Frei Beto. Tenho um documentário bem amador sobre Carlos Marighella que confirma muitas cenas deste filme.

O que sustenta meu pessimismo é o fato de um partido reprimido pelo regime, depois de 8 anos no governo, composto por bastante gente que foi pessoalmente violentada moral e fisicamente nos anos de chumbo, não ter consolidado nenhuma política séria sobre o tema. Tenho acompanhado um pouco a proposta de criação da Comissão da Verdade, que infelizmente é também uma proposta (oficialmente) recente. Como era de se esperar, o PIG e o lobby dos militares, especialmente em ano eleitoral, é fortíssimo e tem um peso mais forte do que nunca nas decisões.

Uma breve pesquisa sobre a comissão na rede expõe como está sendo tratada. Olha a declaração do Maynard Marques de Santa Rosa, general ex-general de alto escalão do exército:

“A ‘Comissão da Verdade’ de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010 certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o seqüestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.”

Observe a opinião de um elemento influente do clubinho da Veja sobre a declaração do dinossauro:

Porque o objetivo, evidentemente, não é saber “a verdade”, mas criminalizar a história. Misturar “abertura de arquivos” com “comissão” é mera patranha esquerdopata.

(fonte)

Falando em Veja, é fácil notar no filme a intenção do diretor em colocar esta cartilha do PIG como um folhetim que garantia para os subversivos a livre circulação nas ruas. Em algumas cenas os estudantes estavam disfarçados de leitores-de-Veja, exibindo a capa da revista, com o objetivo de disfarçar os trogloditas.

Mas o que quero registrar neste post são duas situações recentes que presenciei, que de alguma forma fazem parte do meu dia-a-dia de trabalho. A primeira foi durante um debate realizado no Comitê Gestor da Internet, em 9 de fevereiro de 2010. Era o Safer Internet Day (Dia da Internet Segura). No Brasil a PRSP foi uma das entidades organizadores e eu participei do processo. Como esperado, um debate com a presença do prof. Sérgio Amadeu é sempre um debate acalorado. Ainda mais quando compartilha a mesa com um debatedor da Polícia Federal. Dessa vez foi umA debatedorA da PF, o que na minha opinião deixou o evento bem interessante. A delegada Juliana Cavaleiro foi incisiva nas questões que ela acredita ser importante, como a necessidade de guarda de logs pelos provedores de acesso e serviço, contrariando a opinião do professor. Por outro lado, fez uma reflexão importante sobre o legado que o regime militar deixou no Brasil e como isso tem influenciado o ciberativismo no país. Na minha observação, a delegada deixou bastante claro que essa preocupação é legítima, ao tempo em que tentou mostrar que esse momento histórico é passado e que as polícias estão sendo também sufocadas por conta dessa herança dos ditadores e arapongas certa vez legitimados pelo estado. Felizmente, os sabores e dissabores desse debate foram registrados e podem ser visualizados no website http://internetsegura.br, a partir dos endereços abaixo:

(Parte 1)
http://www.internetsegura.br/videos/67

(Parte 2)
http://www.internetsegura.br/videos/68

A segunda situação foi num debate que surgiu durante uma disciplina de Ciência Forense, que estou acompanhando como ouvinte na pós-graduação da POLI/USP. A discussão foi pra lá de acalorada, embora a minha participação tenha sido bastante pacífica. Os interlocutores foram eu, um colega que é também professor e ex-militar, e um delegado de polícia. Em meio aos argumentos sobre a necessidade de guarda de logs e a natureza sigilosa de um endereço IP na Internet, o delegado tocou no mesmo ponto que a Juliana expôs no debate anterior. Ele tentou explicar como tem sido difícil pra polícia atuar diante das dificuldades de coletar evidências na rede. Segundo ele, esta dificuldade existe, parcialmente em virtude de um receio social, que de alguma forma (felizmente) influencia o judiciário. Todos ainda com uma visão de estado totalitário, policialesco, consequência dos tempos do regime militar. Bem como a delegada, ele tentou explicar que isso mudou.

Eu posso estar sendo ingênuo, mas acredito que há, principalmente entre os mais jovens nas corporações de polícia e justiça, uma visão negativa (mesmo minoritária) sobre o legado que o período 1964-1985 deixou. Acredito que as opiniões das duas autoridades que citei aqui são verdadeiras. E pior ainda: que as duas partes (ativistas e autoridades) estão corretas no seu ponto de vista. E não há briga mais difícil de separar quando as duas partes têm razão :)

O fato é que a ferida da repressão está aberta e o cheiro ainda exala forte pra todo lado. Esta ferida desenha uma barreira entre a sociedade civil e as autoridades que é impossível desconsiderar. Em determinado momento o filme deixa uma mensagem clara: “opressor e oprimido nunca estarão do mesmo lado”. É exatamente isso. Aqui, uma parte não tolera ser oprimida. A outra não consegue convencer que não é mais opressora. Estão portanto em lados diametralmente opostos. Felizmente a assimetria de poderes entre elas diminuiu de lá pra cá. E a Internet é sem dúvida a ferramenta mais importante pra garantir essa força para o ativismo, antes sujeito à censura prévia e sem critérios. Assim torna-se impensável colocá-la na mesa de negociação. Temos que admitir que o ônus social é a dificuldade para persecução dos crimes que dependem deste acordo, ponto que certamente as duas partes concordam.

Ou seja, o que consigo sentir (mais do que pensar) nesse momento é:

Eu, enquanto ativista, preciso de evidências bastante fortes de que as corporações policiais compartilham honestamente das opiniões dos delegados aqui citados. Enquanto imaginar que estes são minoria, não vai dar pra negociar.

Enquanto o estado não convencer toda a sociedade que o regime repressivo foi um erro histórico, com medidas sérias, inclusive punitivas, não vai dar pra negociar.

Enquanto a polícia não garantir que é invulnerável ao lobby que coloca o interesse da indústria e dos bancos acima dos meus direitos como cidadão, não vai dar pra negociar.

Enquanto o legislativo não garantir que vai legislar em prol do interesse público, mesmo em detrimento do interesse dos seus financiadores, não vai dar pra negociar. (que tal começar por uma reforma política séria?)

Enfim, enquanto o Brasil não convencer que tem uma postura de estado diferente das tendências reacionárias de alguns países na Europa, enquanto que não pretende seguir as regras do incontrolável mercado livre, que infecta estado e polícia, dos EUA, não vai dar pra negociar.

Dá pra perceber então que este confronto vai render ainda muitas décadas (séculos?). <utopia>Se todas essas manchas históricas, que vão muito além da ferida da repressão, são motivos de discórdia, que tal trabalharmos juntos pra começar a apagá-las definitivamente? Será que já não somos maioria? </utopia>

Um desabafo p/ os headhunters da Google

Caros recrutadores,

Em 2007 vocês me convidaram pela primeira vez a conhecer e quem sabe, até fazer parte do mundo mágico da Google Inc.. Aconteceu bem no apogeu de uma das maiores batalhas que a empresa já travou na sua história, onde eu era um dos personagens que incomodava no lado do exército do inimigo. Aqui no Brasil era o momento em que a Google reinava absoluta e soberana, assumindo publicamente a falta de compromisso com a legislação brasileira, ao tempo que ostentava o sabor das cifras diante do surpreendente fenômeno de crescimento dos seus usuários no país.

“Eu perco o sono só de pensar na mina de ouro que o Orkut pode representar” disse Hohagen à revista Exame, a principal revista brasileira de negócios, em 2005.

(fonte)

Quero pontuar o que me instigou neste convite. Primeiro, não sou um bom programador. Segundo, não sou disciplinado e organizado o suficiente para atuar como um bom administrador de sistemas. E não há qualquer evidência pública que prove o contrário. Considerei portanto bastante estranho o seu convite, já desde o início. Foi muito generoso. Em conversa com colegas muito mais próximos do perfil que uma empresa gosta – e que já tinham inclusive passado pela experiência do processo seletivo da Google – ficou evidente que o meu caso estava longe de se submeter aos critérios de exigência de vocês. Mais esquisito ainda foi a declaração do advogado Durval Noronha, procurador da Google no Brasil neste ano. Utilizando da retórica de mais baixo nível do juridiquês, declarou, aos berros, a uma amiga jornalista, que não estava autorizado a confirmar (nem a negar) se o convite tinha sido motivado pelo fato de eu ser um dos diretores da Safernet. Aliás, sobre esta figura que por tanto tempo representou o interesse de vocês aqui, vale uma citação:

No impasse, o Google Brasil resolveu lavar as mãos, prometendo “repassar as denúncias à matriz“. Acrescente um agravante: o advogado contrato pelo buscador para lidar com a imprensa, Durval Noronha, que tem um escritório de advocacia homônimo, se notabilizou pelos decibéis que atingia quando conversava com a mídia.

Dezoito meses depois, Noronha continua conhecido no meio pelos gritos que dava com jornalistas como se a potência do seu gogó contornasse a falta de um argumento cabível para que o Google Brasil não combatesse os crimes dentro do Orkut. Descobriu-se mais tarde que Noronha foi responsável por defender o traficante norte-americano William Reed Elswick, refugiado no Brasil e ajudado por Edmar Cid Ferreira.

(fonte)

Em suma, no ano de 2007 eu disse “não, obrigado”. Resolvi ainda explicar pra vocês as razões pelas quais trabalhar na Google Inc. não me interessava.

Pois bem. No início de 2008 fui novamente contatado por vocês, representado por você, recrutador número 2, que supostamente foi motivado a fazer o convite devido ao meu envolvimento no Debian, especialmente por co-manter o pacote Epylog, alegando que a Google era uma grande “parceira” (na verdade você usou algo mais pesado: “proprietor“) de ambas as áreas (Python e Debian). Ora, eu nunca tive um envolvimento profundo no Debian. Na verdade me considero muito mais um contribuidor esporádico do que um desenvolvedor. As pessoas precisam entender que fazer parte de uma comunidade de software livre não implica em ser um hacker hardcore. Eu sequer fico à vontade com o rótulo de “Debian Developer”. Prefiro dizer que sou membro do Projeto Debian. Para piorar, sou um completo newbie em Python. O fato de manter um pacote nessa linguagem não significa que eu tenha habilidade com ela e você deveria saber disso. Nesse ponto eu penso que a Google deveria educar mais seus recrutadores. Dessa vez eu simplesmente te respondi “não, obrigado”. Não me dei o trabalho de explicar as razões, pois a esta altura pareciam óbvias demais para nós dois.

Ah! Você, recrutador número 2, resolveu ainda estender o convite para minha esposa. Pessoalmente considero Tássia muito mais capaz do que eu, entretanto as razões que (supostamente) encorajaram seu convite não me convenceram (nem a ela), pois Tássia tinha muito poucas contribuições de código para o Debian. Enfim, ela respondeu… ou não respondeu, não lembro. Certamente você tem isso anotado.

Em 2008, você, que vou chamar aqui de recrutador número 3, muito educado e profissional, ainda que ciente da minha negativa ao seu colega número 2, fez questão de insistir no convite, oferecendo-me a oportunidade de conhecer novos postos que envolviam engenharia de software, administração de sistemas e operações de rede. Seu único pecado foi mencionar o apelido do cargo disponível, que aplicava-se nas três áreas citadas, algo como: “Bombeiros Digitais do Google” (Google’s digital firefighters). Eu logo pensei: se um dia faltar razões morais para não trabalhar na Google, eu terei uma razão de natureza fisiológica, pois não estou preparado e nem disposto a me tornar um apagador de fogo, seja ele digital ou não. Enfim, acabei não respondendo. Depois de alguns dias você continuou insistindo e acabamos agendando um telefonema. Passamos aproximadamente 30 minutos conversando, se bem me lembro. Você me explicou alguns detalhes do processo e me ofereceu inclusive a possibilidade de “escolher” alguns países para o trabalho, incluindo a tranquila Suíça e o não tão tranquilo Estados Unidos. Foi mais uma boa oportunidade pra explicar algumas das razões pelas quais eu não estava interessado em trabalhar para vocês. No entanto, quero deixar pública minha gratidão pela sua paciência de mãe com o meu inglês, que por telefone deve ser muito chato de aguentar. Ah… 2008 foi um ano em que a Google gastou alguns milhões de dólares contratando advogados de peso no Brasil (tentem identificá-los nos vídeos abaixo), evitando assim maiores constrangimentos nas convocações da CPI da Pedofilia, lembram? Aqui estão as cenas da primeira convocação, registradas pela TV Senado, onde o nervosismo do Alexandre Hohagen claramente reflete o momento de tensão que a empresa vivia no Brasil:

Daí pra frente as coisas pioraram um pouco pra vocês. Depois de ter um lobista preso em frente às câmeras pela CPI, por bisbilhotar documentos sigilosos à serviço da Google…

Identificado como diretor de Informação e Monitoramento Legislativo da ArkoAdvice no site da consultoria, Rildson Moura afirmou, ao ser preso, que era jornalista e gravaria todas as atividades da CPI para enviar à direção do Google em São Paulo, segundo informações da Agência Senado e de fontes próximas ao caso ouvidas pelo IDG Now!.

(fonte)

…e ainda diante da segunda convocação formal para o Alexandre explicar a morosidade do cumprimento das promessas feitas à CPI, a empresa viu-se obrigada a assinar, muito a contra-gosto, este Termo de Ajustamento de Conduta com as autoridades brasileiras. Vale a pena relembrar (principalmente discurso do Procurador da República Sérgio Suiama, minuto 3 do segundo vídeo):

Google assina TAC contra a pedofilia – SaferNet na CPI da Pedofilia – parte 1

Google assina TAC contra a pedofilia – SaferNet na CPI da Pedofilia – parte 2

Depois de um estressante 2008, as coisas se acalmaram um pouco na minha vida. Com o processo de residência permanente no Canadá finalizado, decidimos ir para Montréal, ainda que aguardando a possibilidade de passar mais um tempo no Brasil por conta de um convite de trabalho bem interessante no Ministério Público Federal. Em pouco tempo que estivemos em Montréal, minha esposa Tássia se envolveu com um grupo de teatro na Concordia University e já estava realizando alguns trabalhos voluntários, enquanto eu tomava algumas aulas de música na Université de Montréal. Enfim a nomeação no MPF aconteceu e voltamos para mais uma jornada temporária na nossa vida no Brasil. Bom, já que vocês não me convidaram em 2009 e portanto eu não tinha nada pra falar de vocês, resolvi preencher esse parágrafo com essa breve atualização, que deve interessar ao menos aos nossos amigos distantes que estão sem notícias nossas há algum tempo.

Vamos então falar de 2010. Recebi com surpresa nesta semana outro “ping” seu (recrutador número 3), convidando-me novamente a conhecer as novas oportunidades de trabalho na Google. É a quarta tentativa em quatro anos. Já temos uma história pra contar, não é mesmo? Mais uma vez eu fui obrigado a dizer “não, obrigado”. Desta vez eu tenho mais razões do que nunca para ter tomado esta decisão e faço questão de pontuar algumas aqui. A primeira é que estou mais velho e isso me faz mais capaz de compreender o que quero da minha vida, aliás, isso é uma das poucas coisas que o avanço do tempo nos proporciona de bom. Esta maturidade me faz por hora convicto de que a minha natureza é conflitante com o modelo de trabalho em que a sobra do valor do meu tempo é destinada ao bolso dos seus acionistas. Bastante simples, mas levou tempo pra entender. Isso já seria razão suficiente pra não trabalhar pra vocês. Pra piorar, a Google tem dado razões extras para meu desapontamento com esse sistema. Após algumas declarações do seu CEO em 2009, resolvi iniciar o ano de 2010 sem mais utilizar os serviços da Google que demandam autenticação de usuário. Pretendo me livrar de alguns outros em breve (mas isso também é outra história…). Ademais, recentemente ficou ainda mais claro que a empresa tem deixado de lado critérios técnicos e outros ainda mais sérios, como o direito à intimidade dos seus usuários, em detrimento da correria do mercado que mergulha hoje no baú do tesouro das redes sociais e demais apetrechos dois-ponto-zero.

Vocês sabem que o lançamento precipitado do Buzz foi desastroso e irresponsável. Ainda tratando do tema privacidade, a Google até que tentou uma reconciliação assumindo aquela postura pseudo-oficial em relação a sua atuação no mercado Chinês, quase que criando uma crise diplomática com o governo americano (este eterno parceiro, suposto defensor das liberdades individuais…). Honestamente não me convenceu, afinal é notório que a empresa sempre endossou os filtros de censura daquele governo por muito tempo. Na minha opinião o problema está no fato de vocês pensaram que não foram retribuídos suficientemente em troca ao apoio à censura que ofereceram ao governo chinês. Além disso, eu cultuo a crença de que uma corporação privada de capital aberto, por definição, não possui a mínima condição de assumir qualquer postura de mercado tomando uma ideologia como base de sustentação. Estratégia de negócio travestida de postura moral é algo simplesmente obsoleto, pra não dizer patético.

Diante dos fatos, só tenho a concluir que nossa relação não tem futuro. Acreditem, eu não agregaria nenhum valor para a empresa que vocês representam. Como já declarei, não sou dotado das habilidades específicas que vocês esperam. Não tenho nenhuma certificação (e nem pretendo permitir que ninguém me certifique de nada). E não sou fã da vaidade profissional. Admito que, por outro lado, sei que sou capaz de fazer um bom trabalho, mas pra isso preciso de dedicação, o que consequentemente demanda motivação. E isso seria por fim nosso grande problema de relação, pois motivação é algo que a Google definitivamente não tem a me oferecer.

Portanto, mais uma vez: não, obrigado.

Peraê, isso é projeto de lei ou…

…trabalho de conclusão de curso??

Lendo o PL-6983/2010 me deparei com o seguinte trecho:

A presente proposta não pretende ser panacéia para eliminar o crime digital, mais dificultar a ação dos vândalos de plantão e agilizar a ação persecutória do estado punindo o mau usuário de tecnologia.

Bom, tirando a palhaçada dos “vândalos de plantão” e a do “mau usuário”, dá pra digerir… Mas seguindo o texto do PL eu me deparo com:

Neste trabalho de conclusão de curso, estamos propondo mudanças pontuais nos Códigos de Processo Civil e Processo Penal e, responsabilizando servidores de dados e provedores de acesso a Internet pela coleta e guarda das informações que servirão de prova no processo. [...]

Puta que pariu!!! Os caras decidem fingir que trabalham só nos últimos minutos do segundo tempo de ano eleitoral e acabam fazendo essas merdas. Só pode.

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