Fim de inverno

Vamos lá, esse blog é muito pequeno pra dizer tudo o que eu queria (ou
minha preguiça é grande o suficiente pra isso). Acabei de lavar uma
montanha de pratos, tô exausto.

St Patrick’s Day

bicho feio

Essa uma parada famosa aqui em Montreal, em comemoração a alguma coisa
que eu realmente não vejo muito sentido. Quem tiver curiosidade, pode
acessar http://www.st-patricks-day.com/

Na verdade é uma parada poluída. Em cada 10 entidades que desfilam,
uma realmente manisfesta algo interessante, ou pelo menos relacionado
ao propósito da festa. O resto é carrão com adesivos de empresas e
alguns carinhas/garotinhas acenando. Nada de especial. Conseguimos
ficar 30 minutos lá. Além de cansativo, tava muito frio, algo em torno
de -8 graus.

Manifestação global contra a ocupação no Iraque

...

Essa foi interessante, principalmente por perceber que aproximadamente
70% das pessoas presentes tinham mais de 40 anos. É surreal. Quase não
tinha jovens na manifestação. O problema aqui é que cada vez mais o
Canadá estreita relações de apoio aos Estados Unidos, e o povo do
Québec não aceita. Segundo uns panfletos que recebi, o governo do
Québec liberou algumas centenas de milhões para programas de “paz”
americanos nos últimos anos.

Workshop de molhos vegetarianos

O People’s Potato ministrou um workshop de molhos vegan, utilizando
umas ervas loucas que não conheço a tradução pra português. Ainda não
tentamos nenhuma opção da receita, mas pelo menos _eles_ conseguiram
fazer algo bem gostoso lá. Tássia tem almoçado com eles diariamente, e
eu, todas as sextas. Tássia tem ajudado na cozinha da People’s Potato
também de vez em quando (lavando pratos, cortando alho, etc :)).

Ski de verdade

ski

A gente acabou se arrependendo de não ter dado começado a esquiar
antes. Agora, quase no fim do inverno, tivemos duas ótimas
experiências. A primeira foi no Mont Orford (http://orford.com/), onde
esquiamos pela primeira vez numa montanha de verdade. Descemos do topo
dos 389 metros do morro, numa pista para iniciantes de aproximadamente
5 km de extensão. É muito bom!

Na segunda vez alugamos um carro e fomos pro Owl’s Head
(http://www.owlshead.com/) , a aproximandamente 2 horas de Montreal.
Este tem mais de 500 metros de altitude, mas não tem pista verde
(iniciante) do topo. Então pegamos umas pistas de intermediário
(azul), começando do meio da montanha. Agora vamos tentar ir pela
última vez, se po$$ível, no Mont Orford, que tá começando a divulgar
umas promoções interessantes pro fim do inverno (e da neve).

Violão de verdade

violao

Pois é… ficou difícil viver sem um violão em casa. O problema é que
eu fui longde demais… Não dá pra entrar numa imensa loja de
instrumentos, ver que você tem a chance de comprar algo por um preço
muito menor que no Brasil, e não comprar algo bom. Pois bem: comprei
um Fender 12 cordas. É impressionante. O violão parece que tá
amplificado. Tô me adaptando ainda às cordas extras. Na verdade deixei
somente 9, tirei as oitavas das cordas baixas. O fogo foi fazer as
escolhas… Vocês vão entender abaixo.

Coisas que não fiz

Não fui pro Show do Dream Theater esta semana. Foi difícil, mas
suportei. Preferi comprar o violão. Agora preciso deixar de fazer
várias coisas pra cobrir o custo que tive. Por exemplo, deixar de ir
pro show de B. B. King no Festival de Jazz de Montreal. Essa vai ser a
parte mais difícil😦

Hmm… Talvez a parte impossível seja não ir pro show do Radiohead em
junho. Sim, fontes confiáveis dizem que o Radiohead estará aqui daqui
3 meses. Vamos ver… Não quero nem pensar nisso agora.

Coisas que _ainda_ não fiz

Passeio com calma no Mont Royal, passeio no Jardim Botânico, passeio
em Toronto, passeio em Otawa, passeio nas cataratas do Niagara,
Biodôme, Planetário, etc. Tem muita coisa a se fazer ainda (e pouco
dinheiro pra isso)🙂

Encontro de usuários Linux de Montreal

Os detalhes estão aqui: http://linux.meetup.com/122/
No dia 7 de março (se não me engano) fui pro encontro de usuários
Linux de Montreal. Foi realmente estranho. A primeira impressão não
foi legal. Cheguei no local (um Café, bem bonitinho) e tinha umas
mesas ocupadas, mas separadas. Perguntei se aquilo era o encontro de
usuários Linux de Montreal. O cara me mostrou uma placa, que
confirmava o evento. Ok, mas por que eles estavam separados? Não sei.
O cara viu minha camisa do Debian e disse que seríamos bons amigos🙂
Bom, foi chegando mais gente, que ia se amontoando em mesas separadas,
onde as pessoas não se falavam. Depois de uns 30 minutos meu amigo
Elton (também latino) perguntou bem alto se aquilo ali era o encontro,
e se eles podiam o ajudar a instalar o GNU/Linux no seu PowerBook. O
pessoal olhou desconfiado, em silêncio, e começou a se juntar em volta
de um só círculo. Algumas pessoas tentaram ajudar na instalação do
PPC, mas sem sucesso. De fato, as pessoas que tentaram não tinham
muita habilidade.

Enfim chegou o coordenador do evento, que começou a falar em francês.
Achei estranho, pois a lista de discussão é em inglês, e o convite
para o evento também foi em inglês. Enfim, eu fiz o meu melhor. Todos
se apresentaram (inclusive eu). Algumas pessoas já se conheciam.
Infelizmente não consegui ter uma participação legal nas discussões
por conta de meu francês limitado. O evento foi basicamente uma
conversa em círculo, sobre alguns temas, onde três se destacaram: VOIP
e GNU/Linux em desktops e suporte. Algumas pessoas leigas faziam
perguntas e os mais experientes respondiam. Algumas vezes os
pouco-experientes respondiam também, com um certo ar de experiência.
Muitas vezes eu queria dizer algo, mas travava tudo.

O que deu pra perceber é que não se discutiu nada sobre liberdade, ou
outras questões não-técnicas sobre software livre. Aliás, eu não
lembro de se referenciar a esse termo em nenhum momento. O pessoal
parece ser bastante habituado a GUIs, inclusive pra configurações mais
complexas. As distribuições mais populares por aqui (pelo menos no
encontro) foram Fedora e Ubuntu. Um cara que parecia ser dos mais
experientes do grupo ficou surpreso ao me ver entrando no modo texto e
voltando pro gráfico utilizando as teclas Alt, Ctrl e F[1-9].

De fato esse foi o maior choque cultural que senti aqui. Senti isso
exatamente no momento em que me apresentei como brasileiro. Eu
esperava pelo menos um comentário sobre a situação do Brasil e
softwares livres, mas a única coisa que ouvi foi um “obrigado, o
próximo a se apresentar, por favor…”. Pensei então como seria por
exemplo, se o PSL-BA, numa reunião, recebesse um estrangeiro, como
seria diferente🙂 Mas isso é tolerável. É cultura. O lado da força tá
com eles, a adaptação deve ficar por minha conta aqui.

A última notícia é que a Ubuntu está abrindo um centro de suporte aqui
em Montreal. Estão precisando de gente com experiência em Debian, com
contribuições pra comunidade, etc… Quem sabe…🙂

Por hoje é só. Agora é esperar a primavera e sentir pela primeira vez
em minha vida uma mudança de estação.

abraços a todos(as) os(as) amigos(as),

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