II FBSL

Tinha que escrever algo sobre esse evento. Bom, nos dias 26 e 27 de setembro tivemos no Instituto Anísio Teixeira dois eventos: o I Fórum Baiano de Inclusão Digital e o II Fórum Baiano de Software Livre. Tivemos o apoio do estado, através da Fapesb, o que foi essencial para a viabilização de convidados externos. Os eventos, que no fundo foram um só, tiveram praticamente duas semanas para serem organizados. Foi de fato um milagre ele ter acontecido da forma que queríamos.

O que quero destacar é que pela primeira vez tivemos a presença de fato do Programa Identidade Digital num evento sobre software livre. Me impressionou as palavras do representante do secretário de ciência e tecnologia, onde convenceu algumas pessoas que a SECTI está aberta ao modelo livre que se estabelece. Lembro da primeira e única reunião a que fui convidado pela SECTI, quando trabalhava lá. Era um encontro em que os projetos desta secretaria deveriam ser apresentados, um por um. Eu, um barbudo dessarumado em meio aos engravatados presentes, questionei questões referentes à apropriação intelectual num dos projetos apresentado, o que causou um pequeno mal estar. Fui recebido como alguém infectado por ideologia, tomei bronca da coordenação por ter “insultado o dr. Emerson” em público e nunca mais fui convidado para reuniões da SECTI. Bom, era mesmo um saco.

Agora este mesmo cara, que um dia gaguejou numa apresentação sobre o projeto pois não sabia o significado de uma sigla (GPL) que estava presente nos slides, quase me convence que é legal usar software livre🙂

Na mesa de análise dos casos de inclusão digital, o ilustre professor Pedro Rezende começou seu discurso expondo algo do tipo: “notamos que os projetos que têm algum futuro não têm dinheiro, e aqueles que têm muito dinheito não têm futuro, por que?”. Diante desse questionamento o professor fez uma brilhante explanação, onde abriu os olhos de muita gente presente, colocando na mesa as cartas que mostram o caráter mercadológico da inclusão digital que tem sido vendida por aí. Sérgio Amadeu deu um show, provando por A+B que não dá pra se fazer inclusão digital com software proprietário. Amadeu Júnior mostrou que com carcaças de máquinas, vontade e inteligência é possível pôr em prática um projeto de inclusão sério, com um alcance enorme. Aliás, o ATPS foi de fato o projeto mais elogiado do evento. Vejam, um projeto tocado por graduandos em computação e administração, sem grana, sem apoio financeiro, sem doutores…

O mais legal de tudo foi ver que o pessoal do PID estava presente, ouvindo de pessoas importante aquilo que eu dizia desde o início. Parece que agora as coisas devem mudar. Questões simples sobre proibições nos ambientes dos infocentros foram muito bem colocadas pela professora Bonilla, que mostrou que não há mais espaço para os modelos tradicionais de educação nos ambientes informatizados. Espero que todos tenham captado o recado.

Torço para que o evento se repita no próximo ano, e agradeço a todos que participaram presencialmente ou através do belo trabalho da Rádio FACED. Vou tentar postar algo depois sobre minha opinião em relação ao lado técnico do evento. As fotos podem ser vistas no meu fotki.

Vel. da luz = 300.000 km/s Vel. do som = 340 m/s

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