Mais uma piada de muito mau gosto

Ouvi dizer sobre o tal “telefone social”, um acordo entre governo (Min. Helio Costa) e empresas de telecomunicações com o objetivo de fornecer assinaturas menos caras (e não mais baratas, como a mídia diz) para a população mais carente. Vamos aos números:

Haverá um desconto de 50% nas assinaturas para famílias que comprovem uma renda mensal de até 3 salários mínimos. Ou seja, essas pessoas pagarão R$19,90 por mês para ter um telefone fixo em casa. Essa proposta vem num momento em que as pessoas começam a contestar as assinaturas básicas de telefonia fixa por conta da sua ilegalidade. A princípio parece interessante para os mais ingênuos, mas indo um pouco mais fundo na proposta percebe-se o grande absurdo: para o “desconto” de 50% haverá uma redução na franquia de pulsos de 40%. De 100 minutos passarão para 60. Mas o pior ainda estava por vir: quem escolher pelo desconto na assinatura básica deve estar ciente de que, caso a franquia seja excedida, será cobrado R$0,31 por minuto, enquanto numa assinatura sem desconto pagamos R$0,11 por pulso (4 minutos).

Vamos calcular?

Digamos que você fala 200 (uma média de aproximados 6 minutos por dia) minutos por mês de fixo para fixo e paga a assinatura básica sem desconto. Serão aproximadamente R$40,00 + R$0,11 x (100/4) = R$42,75 de conta telefônica. Caso você opte pelo desconto, gastará aproximadamente R$20,00 + R$0,31 x 140 = R$63,40.

Resultado: empresa de comunicação ganha publicidade gratuita, instala mais linhas, lucra mais, aumenta o laço de interesses junto ao ministro, enquanto o pobre paga a conta mais cara se pensar que tem o mesmo direito de falar que o não pobre.

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