Um resumão da reportagem da A Rede sistemas de gerenciamento de telecentros

Sugiro a leitura completa da reportagem em http://www.arede.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=624&Itemid=260

Porém seguem aqui meus pitacos em relação a alguns pontos, que podem passar despercebidos no texto acima. Quero deixar claro também que, embora eu tenha opiniões fortes em relação a algumas falhas de concepção do projeto do governo baiano, minha intenção é mostrar os caminhos que já foram construídos e consolidados em projetos mais maduros, e tentar fazer que o projeto da Bahia, que hoje é de fato um grande agente transformador em diversas comunidades, tenha um alcance social cada vez maior.

O primeiro ponto que me chamou a atenção foi:

As customizações desenvolvidas pela Rits, Celepar e Banco do Brasil podem ser baixadas da internet por quaisquer outras redes de telecentros, gratuitamente e com código aberto. No caso dos sistemas dos governos da Bahia e de São Paulo, podem ser obtidos na rede alguns dos seus aplicativos.”

Vejam que dos cinco projetos, os dois que são tocados diretamente por um governo estadual não fornecem seus aplicativos como software livre na rede. Esses projetos são concebidos com verba pública, e é uma obrigação moral que sejam distribuídos publicamente, seja por benefício alheio de quem paga por ele ou por requisição de auditoria. Além disso, em muitos casos é uma obrigação legal, uma vez que alguns desses aplicativos foram derivados de softwares licenciados sob a GPL e outras licenças copyleft. Em especial o projeto do governo baiano já passou por uma época que ganharia esse ponto.

Voila outro ponto importante, que o reporter fez muito bem em colocar:

A equipe técnica do Acessa Berimbau estuda um meio de bloquear páginas pornográficas e de estímulo à violênciaA questão do controle é controversa. Os representantes das outras quatro redes consultadas entendem que essa é uma função exclusiva do educador digital. E seus sistemas não têm mecanismo automático de bloqueio.

Sempre que eu fazia alguma bobagem, meu pai começava a conversa com “Tiago, algumas coisas não precisam ser ditas, mas…”. Pois bem, o comentário fala por sí só. Não faltam oportunidades pra equipe de educadores do PID mudar de opinião. Lembrem de Schopenhauer: não tenho vergonha de mudar de opinião, afinal não tenho vergonha de pensar 🙂

Aqui vai meu ponto pro PID:

O Acessa Berimbau, do Governo da Bahia, e o Sacix, da Rits, usam o pacote livre Gnobi Game. São jogos que estimulam o raciocínio estratégico, como o Xadrez, o Gnometris (semelhante ao conhecido Tetris) e o Ataxx (jogo que lembra dama e gamão).”

Ótima opção, em contrapartida alguns estão utilizando softwares proprietários com meios educacionais (porque o fim é comercial).

E para terminar, o Debian faz a diferença, e o PID ganha mais um ponto🙂

Mas três das cinco redes consultadas (Rits, Banco do Brasil e Governo da Bahia) optaram por aprimorar a distribuição Debian. E a Companhia de Informática do Paraná (Celepar), que atualmente usa uma customização da alemã Knoppix, adotará o Debian como base de sua próxima atualização. Quatro, então. Por que a preferência? A grande vantagem dessa distribuição é sua maior estabilidade, fruto de testes minuciosos, razão também dos grandes intervalos (dois, três anos) entre as novas versões do sistema operacional. O Debian vem, hoje, com quase 15,5 mil pacotes (softwares pré-compilados e empacotados num formato “amigável”, isto é, de fácil instalação) — todos livres.”
Notei algumas confusões nos conceitos do Berimbau Livre, Berimbau Linux e Acessa Berimbau ao longo da reportagem. No entanto foi suficientemente esclarecedora e imparcial. Parabéns pra A Rede. Quero dizer também que, pelo menos até uma determinada versão, o Acessa Berimbau foi licenciado sob CC/GPL, e distribuído livremente.

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