Monthly Archives: March 2010

Como de costume…

Mudei o tema do blog, que segue mais uma vez a instabilidade tem√°tica do seu blogador ūüôā

Legados pr√°ticos da repress√£o

Acabei de assistir ao filme “Batismo de Sangue”. Estou com os nervos √† flor da pele mas vou ser ponderado neste post.

O Brasil ainda tem preso na garganta tudo aquilo que foi obrigado a digerir no regime militar de 64. Excetuando-se casos isolados de indeniza√ß√Ķes insuficientes e tardias, o brasileiro que pensa um pouco parece que vai ter que engolir tudinho, ao menos at√© que o √ļltimo dinossauro repressor parta pra outra. Este √© o sentimento que fica ap√≥s digerir as injusti√ßas expostas no filme, baseadas em fatos reais, registrados no livro de mesmo nome, do Frei Beto. Tenho um document√°rio bem amador sobre Carlos Marighella que confirma muitas cenas deste filme.

O que sustenta meu pessimismo √© o fato de um partido reprimido pelo regime, depois de 8 anos no governo, composto por bastante gente que foi pessoalmente violentada moral e fisicamente nos anos de chumbo, n√£o ter consolidado nenhuma pol√≠tica s√©ria sobre o tema. Tenho acompanhado um pouco a proposta de cria√ß√£o da Comiss√£o da Verdade, que infelizmente √© tamb√©m uma proposta (oficialmente) recente. Como era de se esperar, o PIG e o lobby dos militares, especialmente em ano eleitoral, √© fort√≠ssimo e tem um peso mais forte do que nunca nas decis√Ķes.

Uma breve pesquisa sobre a comiss√£o na rede exp√Ķe como est√° sendo tratada. Olha a declara√ß√£o do Maynard Marques de Santa Rosa, general ex-general de alto escal√£o do ex√©rcito:

‚ÄúA ‚ÄėComiss√£o da Verdade‚Äô de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010 certamente, ser√° composta dos mesmos fan√°ticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o seq√ľestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime, para alcan√ßar o poder.‚ÄĚ

Observe a opinião de um elemento influente do clubinho da Veja sobre a declaração do dinossauro:

Porque o objetivo, evidentemente, n√£o √© saber ‚Äúa verdade‚ÄĚ, mas criminalizar a hist√≥ria. Misturar ‚Äúabertura de arquivos‚ÄĚ com ‚Äúcomiss√£o‚ÄĚ √© mera patranha esquerdopata.

(fonte)

Falando em Veja, é fácil notar no filme a intenção do diretor em colocar esta cartilha do PIG como um folhetim que garantia para os subversivos a livre circulação nas ruas. Em algumas cenas os estudantes estavam disfarçados de leitores-de-Veja, exibindo a capa da revista, com o objetivo de disfarçar os trogloditas.

Mas o que quero registrar neste post s√£o duas situa√ß√Ķes recentes que presenciei, que de alguma forma fazem parte do meu dia-a-dia de trabalho. A primeira foi durante um debate realizado no Comit√™ Gestor da Internet, em 9 de fevereiro de 2010. Era o Safer Internet Day (Dia da Internet Segura). No Brasil a PRSP foi uma das entidades organizadores e eu participei do processo. Como esperado, um debate com a presen√ßa do prof. S√©rgio Amadeu √© sempre um debate acalorado. Ainda mais quando compartilha a mesa com um debatedor da Pol√≠cia Federal. Dessa vez foi umA debatedorA da PF, o que na minha opini√£o deixou o evento bem interessante. A delegada Juliana Cavaleiro foi incisiva nas quest√Ķes que ela acredita ser importante, como a necessidade de guarda de logs pelos provedores de acesso e servi√ßo, contrariando a opini√£o do professor. Por outro lado, fez uma reflex√£o importante sobre o legado que o regime militar deixou no Brasil e como isso tem influenciado o ciberativismo no pa√≠s. Na minha observa√ß√£o, a delegada deixou bastante claro que essa preocupa√ß√£o √© leg√≠tima, ao tempo em que tentou mostrar que esse momento hist√≥rico √© passado e que as pol√≠cias est√£o sendo tamb√©m sufocadas por conta dessa heran√ßa dos ditadores e arapongas certa vez legitimados pelo estado. Felizmente, os sabores e dissabores desse debate foram registrados e podem ser visualizados no website http://internetsegura.br, a partir dos endere√ßos abaixo:

(Parte 1)
http://www.internetsegura.br/videos/67

(Parte 2)
http://www.internetsegura.br/videos/68

A segunda situa√ß√£o foi num debate que surgiu durante uma disciplina de Ci√™ncia Forense, que estou acompanhando como ouvinte na p√≥s-gradua√ß√£o da POLI/USP. A discuss√£o foi pra l√° de acalorada, embora a minha participa√ß√£o tenha sido bastante pac√≠fica. Os interlocutores foram eu, um colega que √© tamb√©m professor e ex-militar, e um delegado de pol√≠cia. Em meio aos argumentos sobre a necessidade de guarda de logs e a natureza sigilosa de um endere√ßo IP na Internet, o delegado tocou no mesmo ponto que a Juliana exp√īs no debate anterior. Ele tentou explicar como tem sido dif√≠cil pra pol√≠cia atuar diante das dificuldades de coletar evid√™ncias na rede. Segundo ele, esta dificuldade existe, parcialmente em virtude de um receio social, que de alguma forma (felizmente) influencia o judici√°rio. Todos ainda com uma vis√£o de estado totalit√°rio, policialesco, consequ√™ncia dos tempos do regime militar. Bem como a delegada, ele tentou explicar que isso mudou.

Eu posso estar sendo ing√™nuo, mas acredito que h√°, principalmente entre os mais jovens nas corpora√ß√Ķes de pol√≠cia e justi√ßa, uma vis√£o negativa (mesmo minorit√°ria) sobre o legado que o per√≠odo 1964-1985 deixou. Acredito que as opini√Ķes das duas autoridades que citei aqui s√£o verdadeiras. E pior ainda: que as duas partes (ativistas e autoridades) est√£o corretas no seu ponto de vista. E n√£o h√° briga mais dif√≠cil de separar quando as duas partes t√™m raz√£o ūüôā

O fato √© que a ferida da repress√£o est√° aberta e o cheiro ainda exala forte pra todo lado. Esta ferida desenha uma barreira entre a sociedade civil e as autoridades que √© imposs√≠vel desconsiderar. Em determinado momento o filme deixa uma mensagem clara: “opressor e oprimido nunca estar√£o do mesmo lado”. √Č exatamente isso. Aqui, uma parte n√£o tolera ser oprimida. A outra n√£o consegue convencer que n√£o √© mais opressora. Est√£o portanto em lados diametralmente opostos. Felizmente a assimetria de poderes entre elas diminuiu de l√° pra c√°. E a Internet √© sem d√ļvida a ferramenta mais importante pra garantir essa for√ßa para o ativismo, antes sujeito √† censura pr√©via e sem crit√©rios. Assim torna-se impens√°vel coloc√°-la na mesa de negocia√ß√£o. Temos que admitir que o √īnus social √© a dificuldade para persecu√ß√£o dos crimes que dependem deste acordo, ponto que certamente as duas partes concordam.

Ou seja, o que consigo sentir (mais do que pensar) nesse momento é:

Eu, enquanto ativista, preciso de evid√™ncias bastante fortes de que as corpora√ß√Ķes policiais compartilham honestamente das opini√Ķes dos delegados aqui citados. Enquanto imaginar que estes s√£o minoria, n√£o vai dar pra negociar.

Enquanto o estado não convencer toda a sociedade que o regime repressivo foi um erro histórico, com medidas sérias, inclusive punitivas, não vai dar pra negociar.

Enquanto a pol√≠cia n√£o garantir que √© invulner√°vel ao lobby que coloca o interesse da ind√ļstria e dos bancos acima dos meus direitos como cidad√£o, n√£o vai dar pra negociar.

Enquanto o legislativo n√£o garantir que vai legislar em prol do interesse p√ļblico, mesmo em detrimento do interesse dos seus financiadores, n√£o vai dar pra negociar. (que tal come√ßar por uma reforma pol√≠tica s√©ria?)

Enfim, enquanto o Brasil não convencer que tem uma postura de estado diferente das tendências reacionárias de alguns países na Europa, enquanto que não pretende seguir as regras do incontrolável mercado livre, que infecta estado e polícia, dos EUA, não vai dar pra negociar.

Dá pra perceber então que este confronto vai render ainda muitas décadas (séculos?). <utopia>Se todas essas manchas históricas, que vão muito além da ferida da repressão, são motivos de discórdia, que tal trabalharmos juntos pra começar a apagá-las definitivamente? Será que já não somos maioria? </utopia>

Um desabafo p/ os headhunters da Google

Caros recrutadores,

Em 2007 voc√™s me convidaram pela primeira vez a conhecer e quem sabe, at√© fazer parte do mundo m√°gico da Google Inc.. Aconteceu bem no apogeu de uma das maiores batalhas que a empresa j√° travou na sua hist√≥ria, onde eu era um dos personagens que incomodava no lado do ex√©rcito do inimigo. Aqui no Brasil era o momento em que a Google reinava absoluta e soberana, assumindo publicamente a falta de compromisso com a legisla√ß√£o brasileira, ao tempo que ostentava o sabor das cifras diante do surpreendente fen√īmeno de crescimento dos seus usu√°rios no pa√≠s.

“Eu perco o sono s√≥ de pensar na mina de ouro que o Orkut pode representar” disse Hohagen √† revista Exame, a principal revista brasileira de neg√≥cios, em 2005.

(fonte)

Quero pontuar o que me instigou neste convite. Primeiro, n√£o sou um bom programador. Segundo, n√£o sou disciplinado e organizado o suficiente para atuar como um bom administrador de sistemas. E n√£o h√° qualquer evid√™ncia p√ļblica que prove o contr√°rio. Considerei portanto bastante estranho o seu convite, j√° desde o in√≠cio. Foi muito generoso. Em conversa com colegas muito mais pr√≥ximos do perfil que uma empresa gosta – e que j√° tinham inclusive passado pela experi√™ncia do processo seletivo da Google – ficou evidente que o meu caso estava longe de se submeter aos crit√©rios de exig√™ncia de voc√™s. Mais esquisito ainda foi a declara√ß√£o do advogado Durval Noronha, procurador da Google no Brasil neste ano. Utilizando da ret√≥rica de mais baixo n√≠vel do juridiqu√™s, declarou, aos berros, a uma amiga jornalista, que n√£o estava autorizado a confirmar (nem a negar) se o convite tinha sido motivado pelo fato de eu ser um dos diretores da Safernet. Ali√°s, sobre esta figura que por tanto tempo representou o interesse de voc√™s aqui, vale uma cita√ß√£o:

No impasse, o Google Brasil resolveu lavar as m√£os, prometendo ‚Äúrepassar as den√ļncias √† matriz‚Äú. Acrescente um agravante: o advogado contrato pelo buscador para lidar com a imprensa, Durval Noronha, que tem um escrit√≥rio de advocacia hom√īnimo, se notabilizou pelos decib√©is que atingia quando conversava com a m√≠dia.

Dezoito meses depois, Noronha continua conhecido no meio pelos gritos que dava com jornalistas como se a potência do seu gogó contornasse a falta de um argumento cabível para que o Google Brasil não combatesse os crimes dentro do Orkut. Descobriu-se mais tarde que Noronha foi responsável por defender o traficante norte-americano William Reed Elswick, refugiado no Brasil e ajudado por Edmar Cid Ferreira.

(fonte)

Em suma, no ano de 2007 eu disse “n√£o, obrigado”. Resolvi ainda explicar pra voc√™s as raz√Ķes pelas quais trabalhar na Google Inc. n√£o me interessava.

Pois bem. No in√≠cio de 2008 fui novamente contatado por voc√™s, representado por voc√™, recrutador n√ļmero 2, que supostamente foi motivado a fazer o convite devido ao meu envolvimento no Debian, especialmente por co-manter o pacote Epylog, alegando que a Google era uma grande “parceira” (na verdade voc√™ usou algo mais pesado: “proprietor“) de ambas as √°reas (Python e Debian). Ora, eu nunca tive um envolvimento profundo no Debian. Na verdade me considero muito mais um contribuidor espor√°dico do que um desenvolvedor. As pessoas precisam entender que fazer parte de uma comunidade de software livre n√£o implica em ser um hacker hardcore. Eu sequer fico √† vontade com o r√≥tulo de “Debian Developer”. Prefiro dizer que sou membro do Projeto Debian. Para piorar, sou um completo newbie em Python. O fato de manter um pacote nessa linguagem n√£o significa que eu tenha habilidade com ela e voc√™ deveria saber disso. Nesse ponto eu penso que a Google deveria educar mais seus recrutadores. Dessa vez eu simplesmente te respondi “n√£o, obrigado”. N√£o me dei o trabalho de explicar as raz√Ķes, pois a esta altura pareciam √≥bvias demais para n√≥s dois.

Ah! Voc√™, recrutador n√ļmero 2, resolveu ainda estender o convite para minha esposa. Pessoalmente considero T√°ssia muito mais capaz do que eu, entretanto as raz√Ķes que (supostamente) encorajaram seu convite n√£o me convenceram (nem a ela), pois T√°ssia tinha muito poucas contribui√ß√Ķes de c√≥digo para o Debian. Enfim, ela respondeu… ou n√£o respondeu, n√£o lembro. Certamente voc√™ tem isso anotado.

Em 2008, voc√™, que vou chamar aqui de recrutador n√ļmero 3, muito educado e profissional, ainda que ciente da minha negativa ao seu colega n√ļmero 2, fez quest√£o de insistir no convite, oferecendo-me a oportunidade de conhecer novos postos que envolviam engenharia de software, administra√ß√£o de sistemas e opera√ß√Ķes de rede. Seu √ļnico pecado foi mencionar o apelido do cargo dispon√≠vel, que aplicava-se nas tr√™s √°reas citadas, algo como: “Bombeiros Digitais do Google” (Google’s digital firefighters). Eu logo pensei: se um dia faltar raz√Ķes morais para n√£o trabalhar na Google, eu terei uma raz√£o de natureza fisiol√≥gica, pois n√£o estou preparado e nem disposto a me tornar um apagador de fogo, seja ele digital ou n√£o. Enfim, acabei n√£o respondendo. Depois de alguns dias voc√™ continuou insistindo e acabamos agendando um telefonema. Passamos aproximadamente 30 minutos conversando, se bem me lembro. Voc√™ me explicou alguns detalhes do processo e me ofereceu inclusive a possibilidade de “escolher” alguns pa√≠ses para o trabalho, incluindo a tranquila Su√≠√ßa e o n√£o t√£o tranquilo Estados Unidos. Foi mais uma boa oportunidade pra explicar algumas das raz√Ķes pelas quais eu n√£o estava interessado em trabalhar para voc√™s. No entanto, quero deixar p√ļblica minha gratid√£o pela sua paci√™ncia de m√£e com o meu ingl√™s, que por telefone deve ser muito chato de aguentar. Ah… 2008 foi um ano em que a Google gastou alguns milh√Ķes de d√≥lares contratando advogados de peso no Brasil (tentem identific√°-los nos v√≠deos abaixo), evitando assim maiores constrangimentos nas convoca√ß√Ķes da CPI da Pedofilia, lembram? Aqui est√£o as cenas da primeira convoca√ß√£o, registradas pela TV Senado, onde o nervosismo do Alexandre Hohagen claramente reflete o momento de tens√£o que a empresa vivia no Brasil:

http://video.google.com/videoplay?docid=-3914239670537215250

Da√≠ pra frente as coisas pioraram um pouco pra voc√™s. Depois de ter um lobista preso em frente √†s c√Ęmeras pela CPI, por bisbilhotar documentos sigilosos √† servi√ßo da Google…

Identificado como diretor de Informa√ß√£o e Monitoramento Legislativo da ArkoAdvice no site da consultoria, Rildson Moura afirmou, ao ser preso, que era jornalista e gravaria todas as atividades da CPI para enviar √† dire√ß√£o do Google em S√£o Paulo, segundo informa√ß√Ķes da Ag√™ncia Senado e de fontes pr√≥ximas ao caso ouvidas pelo IDG Now!.

(fonte)

…e ainda diante da segunda convoca√ß√£o formal para o Alexandre explicar a morosidade do cumprimento das promessas feitas √† CPI, a empresa viu-se obrigada a assinar, muito a contra-gosto, este Termo de Ajustamento de Conduta com as autoridades brasileiras. Vale a pena relembrar (principalmente discurso do Procurador da Rep√ļblica S√©rgio Suiama, minuto 3 do segundo v√≠deo):

Google assina TAC contra a pedofilia – SaferNet na CPI da Pedofilia – parte 1
http://video.google.com/videoplay?docid=6479142527215853985

Google assina TAC contra a pedofilia – SaferNet na CPI da Pedofilia – parte 2
http://video.google.com/videoplay?docid=-239352489318744826

Depois de um estressante 2008, as coisas se acalmaram um pouco na minha vida. Com o processo de resid√™ncia permanente no Canad√° finalizado, decidimos ir para Montr√©al, ainda que aguardando a possibilidade de passar mais um tempo no Brasil por conta de um convite de trabalho bem interessante no Minist√©rio P√ļblico Federal. Em pouco tempo que estivemos em Montr√©al, minha esposa T√°ssia se envolveu com um grupo de teatro na Concordia University e j√° estava realizando alguns trabalhos volunt√°rios, enquanto eu tomava algumas aulas de m√ļsica na Universit√© de Montr√©al. Enfim a nomea√ß√£o no MPF aconteceu e voltamos para mais uma jornada tempor√°ria na nossa vida no Brasil. Bom, j√° que voc√™s n√£o me convidaram em 2009 e portanto eu n√£o tinha nada pra falar de voc√™s, resolvi preencher esse par√°grafo com essa breve atualiza√ß√£o, que deve interessar ao menos aos nossos amigos distantes que est√£o sem not√≠cias nossas h√° algum tempo.

Vamos ent√£o falar de 2010. Recebi com surpresa nesta semana outro “ping” seu (recrutador n√ļmero 3), convidando-me novamente a conhecer as novas oportunidades de trabalho na Google. √Č a quarta tentativa em quatro anos. J√° temos uma hist√≥ria pra contar, n√£o √© mesmo? Mais uma vez eu fui obrigado a dizer “n√£o, obrigado”. Desta vez eu tenho mais raz√Ķes do que nunca para ter tomado esta decis√£o e fa√ßo quest√£o de pontuar algumas aqui. A primeira √© que estou mais velho e isso me faz mais capaz de compreender o que quero da minha vida, ali√°s, isso √© uma das poucas coisas que o avan√ßo do tempo nos proporciona de bom. Esta maturidade me faz por hora convicto de que a minha natureza √© conflitante com o modelo de trabalho em que a sobra do valor do meu tempo √© destinada ao bolso dos seus acionistas. Bastante simples, mas levou tempo pra entender. Isso j√° seria raz√£o suficiente pra n√£o trabalhar pra voc√™s. Pra piorar, a Google tem dado raz√Ķes extras para meu desapontamento com esse sistema. Ap√≥s algumas declara√ß√Ķes do seu CEO em 2009, resolvi iniciar o ano de 2010 sem mais utilizar os servi√ßos da Google que demandam autentica√ß√£o de usu√°rio. Pretendo me livrar de alguns outros em breve (mas isso tamb√©m √© outra hist√≥ria…). Ademais, recentemente ficou ainda mais claro que a empresa tem deixado de lado crit√©rios t√©cnicos e outros ainda mais s√©rios, como o direito √† intimidade dos seus usu√°rios, em detrimento da correria do mercado que mergulha hoje no ba√ļ do tesouro das redes sociais e demais apetrechos dois-ponto-zero.

Voc√™s sabem que o lan√ßamento precipitado do Buzz foi desastroso e irrespons√°vel. Ainda tratando do tema privacidade, a Google at√© que tentou uma reconcilia√ß√£o assumindo aquela postura pseudo-oficial em rela√ß√£o a sua atua√ß√£o no mercado Chin√™s, quase que criando uma crise diplom√°tica com o governo americano (este eterno parceiro, suposto defensor das liberdades individuais…). Honestamente n√£o me convenceu, afinal √© not√≥rio que a empresa sempre endossou os filtros de censura daquele governo por muito tempo. Na minha opini√£o o problema est√° no fato de voc√™s pensaram que n√£o foram retribu√≠dos suficientemente em troca ao apoio √† censura que ofereceram ao governo chin√™s. Al√©m disso, eu cultuo a cren√ßa de que uma corpora√ß√£o privada de capital aberto, por defini√ß√£o, n√£o possui a m√≠nima condi√ß√£o de assumir qualquer postura de mercado tomando uma ideologia como base de sustenta√ß√£o. Estrat√©gia de neg√≥cio travestida de postura moral √© algo simplesmente obsoleto, pra n√£o dizer pat√©tico.

Diante dos fatos, só tenho a concluir que nossa relação não tem futuro. Acreditem, eu não agregaria nenhum valor para a empresa que vocês representam. Como já declarei, não sou dotado das habilidades específicas que vocês esperam. Não tenho nenhuma certificação (e nem pretendo permitir que ninguém me certifique de nada). E não sou fã da vaidade profissional. Admito que, por outro lado, sei que sou capaz de fazer um bom trabalho, mas pra isso preciso de dedicação, o que consequentemente demanda motivação. E isso seria por fim nosso grande problema de relação, pois motivação é algo que a Google definitivamente não tem a me oferecer.

Portanto, mais uma vez: n√£o, obrigado.

Pera√™, isso √© projeto de lei ou…

…trabalho de conclus√£o de curso??

Lendo o PL-6983/2010 me deparei com o seguinte trecho:

A presente proposta n√£o pretende ser panac√©ia para eliminar o crime digital, mais dificultar a a√ß√£o dos v√Ęndalos de plant√£o e agilizar a a√ß√£o persecut√≥ria do estado punindo o mau usu√°rio de tecnologia.

Bom, tirando a palha√ßada dos “v√Ęndalos de plant√£o” e a do “mau usu√°rio”, d√° pra digerir… Mas seguindo o texto do PL eu me deparo com:

Neste trabalho de conclus√£o de curso, estamos propondo mudan√ßas pontuais nos C√≥digos de Processo Civil e Processo Penal e, responsabilizando servidores de dados e provedores de acesso a Internet pela coleta e guarda das informa√ß√Ķes que servir√£o de prova no processo. […]

Puta que pariu!!! Os caras decidem fingir que trabalham s√≥ nos √ļltimos minutos do segundo tempo de ano eleitoral e acabam fazendo essas merdas. S√≥ pode.

Novo AI-5 digital proposto na C√Ęmara

Deve-se cuidar para que a aprova√ß√£o da presente Lei n√£o d√™ espa√ßo para o surgimento da ind√ļstria da espionagem digital, a exemplo do que ocorre com a Lei das escutas telef√īnicas. Para isso, propomos o ¬ß 3¬ļ do artigo 4¬ļ, ao dispor que, somente ser√£o disponibilizados os dados mediante per√≠cia t√©cnica especializada de forma a comprovar o dano causado.

Art. 4¬ļ, ¬ß 3¬ļ. a disponibiliza√ß√£o dos dados a que se refere o inciso I, se dar√° ap√≥s per√≠cia t√©cnica especializada que comprove o dano causado por invas√£o, contamina√ß√£o por v√≠rus, sabotagem de sistemas, destrui√ß√£o ou modifica√ß√£o do conte√ļdo de banco de dados, furto de informa√ß√£o, furto de propriedade intelectual e vandalismo cibern√©tico. A exemplo das operadoras de telefonia, o provedor de acesso √† internet passar√° a ser um importante aliado da justi√ßa na persecu√ß√£o criminal, devendo para tanto, receber maior aten√ß√£o do estado no que diz respeito aos seus procedimentos e requisitos para funcionamento.

Relembrar n√£o d√≥i…

Porra, Maluf!

Andou fazendo cagada em NYC???

http://www.interpol.int/public/Data/Wanted/Notices/Data/2009/08/2009_13608.asp


Categories of Offences: FRAUD CONSPIRACY, THEFTS
Arrest Warrant Issued by: NEW YORK / United States

Esse j√° disse pra que veio…

Depois de pedir vistas dos autos em prol do Azeredo, foi o √ļnico a voto a favor do Arruda hoje

Toffoli é brasileiro nato, tem 41 anos, não tem mestrado, foi reprovado duas vezes no concurso para juiz estadual e apresenta escassa produção acadêmica. Sua experiência profissional mais evidente, antes de entrar no governo, foi a de advogar para o PT. O fraco currículo, porém, não é o seu maior obstáculo.

Toffoli √© duas vezes r√©u. Ele foi condenado pela Justi√ßa, em dois processos que correm em primeira inst√Ęncia no estado do Amap√°. Em termos solenemente pesados, a senten√ßa mais recente manda Toffoli devolver aos cofres p√ļblicos a quantia de 700.000 reais ‚Äď dinheiro recebido “indevidamente e imoralmente” por contratos “absolutamente ilegais”, celebrados entre seu escrit√≥rio e o governo do Amap√°.


http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/09/19/toffoli-ministro-reu-224690.asp